Brasil, Uma Sociedade Aberta (Tele)Informatizada
A Sociedade Aberta (Tele)Informatizada

Oração pela Filha de Jesus
por
Cesar Rômulo Silveira Neto

Publicado no JORNAL DE BRASÍLIA de 24 de janeiro de 1988


O artigo do Dr. Gaspar Vianna, publicado no Jornal do Brasil de 19 de janeiro último, merece uma cuidadosa reflexão crítica - tanto pela competência do autor como pela relevância do tema para os destinos nacionais: "As Telecomunicações na Constituinte".

Realmente: a terminologia das telecomunicações não está corretamente aplicada em nenhuma das vezes que aparece no texto da Sistematização. Inclusive quando trata dos "serviços de transmissão de informações" e da classificação dos "programas de telecomunicações".

No entanto, mesmo que todas as impropriedades fossem corrigidas, o texto continuaria "politicamente retrógrado".

O que mais me preocupa é a crença que propala: "Todas as impropriedades, todavia, tornam-se pequenas diante da barbaridade que se pretende fazer com as telecomunicações públicas do país".

Esta crença - que se espraia no setor - infunde um temor paralizante. Crença que, pelo ocultamento do sujeito da ação, está a acuar as lideranças de papel - que deveriam estar com os nobres constituintes na elaboração do texto constitucional.

Esta crença equivocada reforça o conto de que está em marcha um grande conluio contra os interesses nacionais:

Não existe esta grande conspiração do "Império do Mal".

O poder, a competência e a capacidade de agir do dito império é tão somente fruto da desunião das vontades mal formadas. Muito pouco desta crença está acontecendo na realidade. No entanto, temos que conjurar o demônio conspiratório de nossas mentes, urgentemente.

Demônio incoscientemente utilizado para justificar omissões, incompetências e má-fé. Para explicar a incapacidade de construir um projeto coletivo em prol do bem comum. A fraqueza em assumir o legado dos antepassados. A fragilidade diante da tarefa de construir um futuro melhor para os filhos. A nossa finitude frente os sonhos imemoriais de liberdade.

Felizmente não é este o caso dos que lutam pela telemática nacional.

Os brasileiros dos setores das telecomunicações e da informática não se submetem ao mal espalhado pelos agentes do falso Império. Ainda que desunidos somos mais poderosos.

Como explicar então o ocorrido?

Muito fácil!

A confusão toda foi armada por uma singular "linha cruzada":

Os novos constituintes fizeram uma "ligação inter-temporal" para os seus pares do Século XXI.

E, por uma dessas peças que o destino nos prega, a ligação para o futuro "cruzou" com uma ligação feita pelos constituintes de 1891 para os seus pares de 1934.

Os de 1891 também tinham ligado para o futuro.

Sem que os interlocutores se dessem conta da peça pregada pelo destino, formou-se uma grande rodada do "Disque Amizade". Do presente com o passado no lugar do futuro.

E, com grande espírito cívico, foram surgindo as proposições do texto da sistematização. Com as mais vivas esperanças dos constituintes de hoje - enganados! - desenhando as fundações do Brasil do Século XXI."

Esta foi a gênese do texto da sistematização.

A falta de uma boa manutenção das linhas inter-temporais - de conluio com a fatalidade - explica, justifica e inocenta os nossos nobres constituintes.

Todos, de boa fé, pensaram e agiram ligados com o futuro ausente substituído pelo passado presente.

Felizmente, no correr do "Disque Amizade" fatídico, a "Força do Bem" também se fez presente. Mobilizou alguns poucos cabistas para uma ação de guerrilha sem comando. Orientados pelos apelos desesperados dos constituintes do futuro, lançaram-se em campo a partir das catacumbas.

Brava e isoladamente, passaram a lutar para o aperfeiçoamento das emendas mais relevantes: das do Campos às da Cristina, das do Ulisses às do Delfim, das do Arolde às do Caó.

Alguns dos constituintes, mais atentos e operosos, já se deram conta da grande confusão que foi armada pelo destino.

Graças às primeiras emendas, já conseguiram captar segmentos de mensagens, ainda que truncadas, dos seus pares do futuro:

"União política dos setores das telecomunicações e da informática no Ministério da Telemática"...

"Um só Conselho Nacional de Telemática"...

"Ação protelatória e diversionista para retardar o desenvolvimento nacional auto-sustentado"...

"Integração dos mercados internos das telecomunicações e da informática"...

"Imposto Único de Serviços Telemáticos - de telecomunicações e de informática"...

"Aplicação total do imposto em programas de (tele)informatização da ação governamental: da União aos Municípios"...

"Aceleração da formação de recursos humanos em telemática"...

"Capacitação Tecnológica a partir de programas de compras dos Governos"...

"Fortalecimento da empresa privada genuinamente brasileira"...

"Bases de Conhecimentos e de Dados em solo pátrio"...

"Instrumento integrado para aceleração do aumento da produtividade e da renda nacional"...

"Competência exclusiva da União"...

"Consolidação da Unidade Nacional: política, econômica e cultural"...

Não há mais tempo para a desesperança. Só para a ação consciente junto aos nobres constituintes. O tempo urge. O estrago é grande. O conserto é difícil e penoso. Exige ação imediata, constante, decidida e solidária dos companheiros da telemática brasileira.

É necessário que todos os canais disponíveis sejam intensamente utilizados. É preciso processar e transmitir o máximo de informação para se reduzir a entropia crescente. Sem congestionamentos e sem ruído nas linhas.

É imperativo que as emendas sejam aprimoradas com o assessoramento dos profissionais do setor. Emendas que serão, então, apoiadas com decisão, destemor e o mais vivo entusiasmo.

É imprescindível que a (tele)ligação com o futuro seja plenamente reestabelecida.

Nossos constituintes, que se dizem ávidos para fundar as bases de um novo projeto nacional, não podem desconsiderar o advento da (tele)informatização da sociedade brasileira. Já da nossa sociedade. Da sociedade de nossos filhos. Dos filhos de nossos filhos. Inclusive para que possamos resgatar, efetivamente, a imensa dívida social.

Esta ligação só depende de nós, homens da telemática. Telecomunicações e informática unidas em torno de um mesmo ideal. Dispostos a reeditar uma história de lutas e vitórias em prol da libertação da nação brasileira: política, econômica e cultural.

Homens que estão dispostos a dar
a esta nova luta um sentido de oração.

Uma oração em homenagem à filha de Jesus,
que padece - isolada do mundo -
das pressões das vivas contradições.

Para a filha de Jesus:
Um dos que lutou por nós,
Pela causa nacional.
E que morreu anônimo.
Silenciado e esquecido.
Atropelado!

O Jesus que tinha:
Trilhos nos dentes;
Petróleo nas veias;
Punhos de aço;
Eletricidade nos nervos;
Luzes no cérebro,
E o Brasil no coração.

O Soares Pereira.

Uma nova luta com sentido de oração.
Com Rondon e Guaranys,
Pela filha de Jesus.

Todos, com o Brasil no coração.


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