Brasil, Uma Sociedade Aberta (Tele)Informatizada
A Sociedade Aberta (Tele)Informatizada

A Telemática e o Resgate de Nossas Dívidas Sociais
por
Cesar Rômulo Silveira Neto
INFORMENTO Consultores Associados Ltda.

Publicado na Revista TELEBRASIL de Setembro/Outubro de 1985


A Sociedade Brasileira está num processo de transformação silenciosa, inexorável e irreversível no sentido de sua (tele)informatização.

Tais transformações, muito mais que provocadas por uma "3a onda", são determinadas pela necessidade de sobrevivência de determinados segmentos de nossa sociedade, principalmente daqueles que têm que competir no mercado internacional.

A produção de informações sobre o mercado, sobre os processos e sobre os produtos, fidedignas e tempestivas, e a incessante busca de ganhos crescentes de produtividade no processo produtivo nacional são fatores determinantes deste processo de (tele)informatização.

Informações e produtividade são elementos essenciais para o aumento de nossa competitividade no mercado internacional

Informações e produtividade são produzidas, com mais eficiência, com o uso adequado dos serviços de telecomunicações integrados aos da informática

É de todo natural que estes segmentos mais modernos e dinâmicos induzam a modernização e a dinamização de outros segmentos de nossa sociedade, criando, deste modo, uma demanda, que cresce exponencialmente, de sistemas e serviços (tele)informatizados.

Outro fato, não tão notório quanto o primeiro, é o de que só poderá haver crescimento econômico, sem que haja a redução do consumo per-capita, se houver um aumento da produtividade do processo produtivo a taxas maiores do que aquelas do crescimento demográfico somadas às taxas de crescimento desejadas para a nossa economia.

Cumpre destacar que tanto o crescimento de nossa economia quanto o crescimento do consumo per-capita são exigências atuais de nossa sociedade.

É de suma importância que esta sociedade assuma, definitivamente, a responsabilidade por fazer crescer a taxa de aumento da produtividade do processo produtivo e, concomitantemente, fazer diminuir a de crescimento demográfico. É uma equação social que somente a sociedade brasileira, por si só, poderá resolver.

Um terceiro fato a ser considerado é o de que a (tele)informática é um poderoso instrumento propiciatório, não só do tratamento eficiente e eficaz da informação, como também da obtenção de ganhos crescentes de produtividade do processo produtivo.

Além disso, o desenvolvimento, a operação e o uso de sistema (tele)informatizados determinam mudanças substanciais nas estruturas de poder, de trabalho e de renda beneficiando as pessoas, as equipes e as empresas mais bem preparadas, técnica, científica e politicamente.

Mas, ao mesmo tempo, é fato também que somente com a obtenção de ganhos crescentes de produtividade poderemos promover uma efetiva distribuição de renda em prol dos mais necessitados.

Somente com a obtenção destes ganhos de produtividade é que conseguiremos transformar o processo de distribuição de renda de um jogo de "soma nula" (um jogo de perde-ganha) num jogo de "soma positiva" (um jogo em que todos podem ganhar), com a distribuição do "a mais" produzido per-capita a taxas diferenciadas para cada um dos agentes de produção, beneficiando os agentes mais pobres. Os mais ricos nada perderiam, pois, na pior das hipóteses, teriam apenas uma pequena redução da taxa de crescimento real das suas riquezas.

Esta é também uma decisão que somente a sociedade brasileira, por si só, poderá tomar. Esta é uma decisão de fundamental importância para a estabilidade de nossa estrutura social, que deve ser, também, tomada urgentemente.

Destes fatos podemos deduzir que o crescimento da demanda nacional por serviços (tele)informatizados e, posteriormente, a própria prestação destes serviços criam espaços amplamente favoráveis para que possamos, como nação soberana, proceder, com baixo custo social, às transformações políticas, econômicas e culturais requeridas por importantes segmentos de nossa sociedade.

Como podemos depreender destas considerações, a função da (tele)informática é uma função puramente instrumental.

A partir deste entendimento, não se pode considerar como grave a situação da (tele)informática brasileira; graves, muito graves, são os problemas da fome, da subnutrição, da ausência do saneamento básico, do analfabetismo...

É necessário colocar urgente e prioritariamente, em âmbito nacional, a (tele)informática a serviço da nossa comunidade, de modo a acelerar o resgate destas e de outras dívidas sociais.

Tal proposição não é descabida, haja visto o exemplo dado pelo Governo do Distrito Federal que, num prazo de pouco mais de dois anos, colocou, intensiva e extensivamente, a (tele)informática a serviço da comunidade brasiliense. Os habitantes de Brasília estão tendo o privilégio de serem uns dos primeiros, em âmbito nacional, a usufruírem, diuturnamente, de vários dos benefícios da emergente Sociedade de Informação.

Em síntese: estão tendo um aumento de sua qualidade de vida concomitantemente ao aumento de sua riqueza.

Cumpre ressaltar que este processo será tão exitoso quanto melhor integrado politicamente estiverem os governantes que estão com a responsabilidade de conduzir as áreas de informática e das telecomunicações, inclusive levando em conta os naturais compromissos políticos já assumidos pelos atuais governantes da Nova República. O ideal seria o de colocarmos, politicamente, as duas áreas num mesmo rumo e, por que não dizer também, sob uma mesma direção.

A nação brasileira pagará muito caro por uma eventual desarticulação de propósitos, de políticas e de procedimentos dos dirigentes destas duas áreas...

A integração de propósitos, de políticas e de procedimentos, segundo meu entendimento, deverá ser feita, através do embate democrático, no seio do Congresso Nacional, do já obsoleto "Código Brasileiro das Telecomunicações" com a infante "Lei da Informática". Um "Código Brasileiro da Telemática", eivado de uma visão instrumental para o social, resultaria deste embate, consolidando a vontade nacional nesta questão.

Não tenho dúvida alguma em afirmar que, neste embate, a vontade nacional será balizada pela consciência, de cada um de nós brasileiros, de nascença ou por opção, de que se faz sempre necessário trabalharmos para preservar a nossa identidade nacional, a integridade de nosso território, a nossa capacidade de autodeterminarmos o nosso destino e promovermos o desenvolvimento de nossa sociedade de forma cada vez mais auto-sustentada, sem xenofobias demagógicas.

Mais uma vez ressalta aos nossos olhos a função meramente instrumental da (tele)informática. Urge que cada um de nós, isoladamente, frente a frente à nossa consciência, tome a corajosa decisão de dar uma adequada função social à (tele)informática, de modo a acelerarmos o processo de resgate de nossas dívidas sociais, cujos efeitos se fazem cada vez mais graves e cruéis.


Ligue-se no
e compartilhe conhecimentos e informações para a
realização do desenvolvimento e do melhor desempenho das Telecomunicações Brasileiras.

www.wisetel.com.br
O Portal das Telecomunicações Brasileiras na Internet

Ligando Pessoas... Compartilhando Conhecimentos...
Essencialmente Livre e Aberto para a Humanidade.
Graças a Deus!