Brasil, Uma Sociedade Aberta (Tele)Informatizada
A Sociedade Aberta (Tele)Informatizada

As Transformações Empresariais no Brasil
por
Cesar Rômulo Silveira Neto
INFORMENTO Consultores Associados Ltda.
Rio de Janeiro, 26 de setembro de 1986


Seguindo a mesma linha de raciocínio do texto anterior, examinaremos o que se passou no Brasil nesta mesma seara.

É certo que todas estas modas, com maior ou menor atraso, aqui chegaram. Mas, ao que sabemos, sua contribuição para o desenvolvimento empresarial foi esporádico, circunstancial e diminuto.

Por que?

Recordemos que na caracterização que fizemos da cultura brasileira no texto "A Sociedade Brasileira", foi indicado que um dos traços marcantes da cultura brasileira - formado pela vertente "européia latina", é a de ser uma cultura eminentemente sistêmica. Onde a realidade se apresenta apenas como sistema e hierarquia.

Nestas circunstãncias, no processo de internalização das diversas formas de se ver e de se tratar a questão das transformações empresariais, o que não era sistema nem hierarquia foi liminarmente filtrado ou rejeitado ou não percebido: foi uma moda que "não pegou" entre nós.

Nosso "planejamento", na grande maioria das vezes, não é a explicitação de uma vontade, de uma determinação, autêntica. Mas sim um reflexo do próprio sistema. Nós "planejamos" o passado. Aquilo que já aconteceu. "Planejamos" exatamente aquilo que o sistema já vem fazendo.

Exagerando, podemos afirmar que a melhor forma para se compreender o que aconteceu na história de uma empresa é tomar conhecimento e analisar o planejamento da empresa para os próximos anos. É bem verdade que estamos falando das empresas brasileiras. Culturalmente brasileiras.

O nosso "desenvolvimento organizacional" não trata das aspirações, das demandas e das expectativas dos "outros" que são internos à empresa e que reagem às mudanças planejadas pelo "sujeito da ação indutor". Registra e trata apenas daquilo que o sistema, ou o que a organização, projeta a partir de si mesmo.

Não é o que emerge do "outro" mas sim o reflexo do próprio sistema, quase que dedutível da própria organização. O sujeito da resistência à mudança não é o autêntico "outro" interno à organização mas sim a própria organização duplicada: no "outro".

Nosso "planejamento estratégico" ao invés de representar o resultado de um diálogo com o contexto quando seriam levantadas as aspirações, demandas e expectativas dos demais "sujeitos de ação estratégica" (aliados, cooptáveis, antagônicos, indiferentes e neutros) /R11/ é sempre um planejamento "político", próprio para as relações públicas.

Lá não está retratado o "outro" externo real, concreto, muitas vezes ameaçador, mas sim o "outro" que mais convém ao sistema, idealizado, mais das vezes o próprio "auto-retrato".

Como exemplo podemos citar o caso das próprias empresas estatais, onde o "planejamento estratégico" é quase uma impossibilidade.

Quem registraria num documento que existem outras instituições com intenções fortemente antagônicas às da sua empresa?

Quem teria a coragem de colocar no planejamento estratégico de sua empresa (estatal, lembremos!), por exemplo, que a empresa teria que trabalhar no sentido de substituir determinado ministro que deliberadamente está tomando decisões que levarão a empresa à estagnação ou à insolvência?

É claro que não estamos querendo negar que estas contribuições, vindas de outras plagas, sejam relevantes para a construção de uma melhor compreensão da nossa problemática de "transformação empresarial".

O que queremos dizer é que mesmo ao tentar imitá-los não conseguimos, pois somos incapazes de ver outra coisa que não seja sistema, hierarquia e funcionamento.

Achamos que, antes mesmo de copiar ou de aderir às novas modas, devemos fazer um esforço para compreender quem, realmente, somos nós, brasileiros. Somente sobre esta base de compreensão de nossa realidade concreta conseguiremos construir algo de sólido e relevante.

Temos a convicção que só há um caminho a percorrer: o do "auto-desenvolvimento" - de indivíduos, de grupos, da nação como um todo.

Um "auto-desenvolvimento" que parta do "auto" que realmente somos.

Das nossas virtudes e dos nossos defeitos.

Das nossas potencialidades e de nossas limitações.


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