Brasil, Uma Sociedade Aberta (Tele)Informatizada
O Governo a Serviço da Comunidade

A (Tele)Informática e as Crianças da Ceilância
por
Cesar Rômulo Silveira Neto
Secretário do Governo do Distrito Federal

Discurso proferido, em 12 de fevereiro de 1985, em agradecimento à
ASSESPRO - Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Informática
pela homenagem prestada com a outorga do título de
"Personalidade do Ano de 1984"


A grande honra que me é conferida, nesta homenagem pública promovida pela "ASSESPRO - Associação Nacional das Empresas de Serviços de Informática", segundo um dos nossos incentivadores, seu Presidente Nacional, Eduardo Guy de Manuel, se "fundamentou no grande exemplo proporcionado pelo Governo do Distrito Federal ao incentivar e fomentar o Polo de Informática de Brasília, contratando, de uma forma criteriosa e produtiva, a Iniciativa Privada".

Que o Governo do Distrito Federal, do curto tempo do Governador José Ornellas, venha a ser citado como exemplo, a nível nacional, pela forma e, principalmente, pelos resultados que já conseguiu alcançar na aplicação, intensiva e extensiva, dos recursos da (tele)informática, para melhorar, concreta e objetivamente, a qualidade de vida de nossa gente, não tenho dúvida alguma em emprestar meu modesto, ainda que suspeito, apoio a esta colocação.

A dúvida surge no momento em que o meu prezado companheiro destas lutas, Hélio Santos, diligente Presidente da ASSESPRO do Distrito Federal, vem me comunicar que seria eu o alvo desta honrosa homenagem. Deixou-me profundamente embaraçado, pois todos, de sã consciência, sabemos que tal obra não é obra de um homem só. Mas sim de toda uma competente equipe que soube tão bem se colocar a serviço de nossa comunidade, sob a clarividente inspiração e a determinada liderança do nosso querido Governador José Ornellas.

Disse para o Hélio, naquela ocasião, que me sentia profundamente honrado com esta distinção, mas que só poderia aceitá-la na condição de representante de toda a equipe que soube tão bem tornar realidade a Filosofia da Ação Governamental, estabelecida pelo Governador José Ornellas na nossa primeira reunião do secretariado: a de que deveríamos ser "uma equipe a serviço da comunidade".

Nada mais límpido, nada mais óbvio:
os governantes prestando serviços à sua comunidade.

Dentro deste contexto, este momento é de grande significação para mim, pois cala fundo no meu modo de ser: ele toca o meu coração, provoca a minha inteligência e, sobretudo, liberta-me junto à minha consciência.

Permitam-me portanto, que lhes revele o que vai no meu íntimo, explicitando o significado que dou a este momento.

Ao tocar o meu coração, este momento faz revelar a minha gratidão e o meu reconhecimento a esta plêiade de jovens empresários que tiveram a coragem cívica de emprestar o seu próprio nome, o de suas empresas e o de sua associação para prestar esta homenagem a uma equipe de governo que está prestes a encerrar o seu mandato, na alvorada de uma Nova República.

Que esta homenagem, junto com as luzes desta renovada alvorada, faça refletir, nos diversos rincões de nossa Pátria, o brilho deste governo honrado que soube, tão bem, colocar-se, integral e modestamente, a serviço de nossa comunidade.

Este momento, que toca fundo o meu coração, faz revelar, ainda, o meu agradecimento e a minha amizade para com todos os meus companheiros desta equipe de governo, pelo tanto que me ensinaram e apoiaram no árduo exercício de minhas funções governamentais.

A todos, o meu preito, emocionado, de gratidão.

Ao provocar a minha inteligência, este momento me faz pensar nas razões que nos levaram a utilizar, de modo extensivo e intensivo, toda a potencialidade das facilidades que a integração da Informática com as Telecomunicações colocou a disposição da Sociedade Brasileira.

Não foi por questão de moda...

Não foi uma "3a onda" perdida que nos atingiu...

Não!!!

O Programa de (Tele)Informatização da Ação Governamental do Governo do Distrito Federal foi construído sobre bases muito sólidas e de modo pleno de consciência, inclusive dos riscos que estaríamos correndo ao iniciá-lo: tanto pelo seu caráter inédito, quanto pela sua magnitude.

Foram considerados inúmeros fatos e levantadas diversas hipóteses.

Após uma análise judiciosa destes fatos e destas hipóteses foram determinadas as premissas que deveriam informar a Nova Política de (Tele)Informatização da Ação Governamental. Pela sua significação para o sucesso deste programa, passarei a discriminar, uma a uma, tais premissas:

A nova política deveria ser totalmente coerente com a Filosofia da Ação Governamental: "Uma Equipe a Serviço da Comunidade"; tal determinação fez com que colocássemos "A (Tele)Informática a Serviço da Comunidade";

A (Tele) Informática deveria ser utilizada, intensiva e extensivamente, como um instrumento não só para aumentar a eficiência da Ação Governamental, como também, e principalmente, para melhorar a qualidade de vida de nossa comunidade em particular a do cidadão, enquanto contribuinte, enquanto consumidor, enquanto usuário, enquanto participante do processo de auto-desenvolvimento de nossa sociedade;

O Governo do Distrito Federal não utilizaria, pelo menos numa primeira fase, os instrumentos fiscais e creditícios para fomentar a (Tele)Informática de nossa comunidade. Ele utilizaria o seu poder de compra para fomentar o desenvolvimento de recursos humanos de alto nível e a formação e o desenvolvimento de "Software-Houses" privadas;

O Governo do Distrito Federal estaria disposto a servir também de "Laboratório Social" onde novos sistemas sociais, já com as tecnologias da emergente sociedade da informação seriam, de forma controlada, realizados, desenvolvidos, implantados, avaliados e difundidos - se aprovados - para todo o Território Nacional. Estaria disposto, também a servir de "vitrine" para que possíveis usuários pudessem conhecer e avaliar, de forma concreta, o desempenho de determinados sistema sociais;

Os dirigentes responsáveis pela execução da nova política deveriam procurar selecionar os melhores profissionais existentes no mercado; adotando-se como referência de sua avaliação a capacitação individual, a competência em trabalhar em equipes e, em especial, em trabalhar em equipes de governo. Estes profissionais na medida do possível, deveriam ser remunerados de conformidade ao seu desempenho, à sua responsabilidade, à complexidade e à importância dos problemas que seriam por eles resolvidos e, sempre que fossem merecedores, dos mais altos níveis de renumeração permitidos;

Utilizar somente os equipamentos aprovados e/ou homologados pela Secretaria Especial de Informática e/ou pelo Ministério das Comunicações. Contratar apenas as empresas registradas na SEI. Comprar ou alugar somente os "softwares" com registro da SEI;

No desenvolvimento de novos sistemas, utilizar, sempre que possível, a melhor tecnologia de "hardware" e de "software" existentes no mercado nacional. Modernizar todos os sistemas já em produção, com os quais o cidadão comum tivesse ou devesse ter acesso direto e todos os sistemas que a sua modernização pudesse aumentar a eficiência da Ação Governamental;

A CODEPLAN deveria se tornar a gerenciadora dos processos de desenvolvimento de sistemas, ficando a sua execução com a Iniciativa Privada;

No processo de contratação das empresas privadas, dar ênfase, em primeiro lugar, à qualidade dos projetos apresentados e em segundo lugar às condições comerciais. Pré-qualificar as empresas pelo que seus integrantes são capazes de fazer e não pelo valor de seu capital ou pelo tamanho do seu "curriculum";

Só desenvolver sistemas que viessem a satisfazer as demandas, claramente definidas, dos órgãos e empresas usuárias. Tais sistemas só deveriam ser especificados, contratados, desenvolvidos, e pré-operados por equipes multidisciplinares compostas por representantes do órgão usuário, da CODEPLAN e quando, obrigatória e formalmente, aprovados pelo usuário que será o seu detentor e proprietário;

Os conflitos de interesses e de opiniões entre os órgãos usuários e a CODEPLAN seriam resolvidos pela comissão de "Coordenação das Atividades de Tratamento de Informação", que deveria resolvê-los em favor da equipe que estivesse mais capacitada a solucionar o problema sobre o qual estivesse havendo o conflito.

Ao me libertar junto à minha consciência, este momento permite revelar que a imagem que tínhamos em mente. Ao especificar o nosso programa de (Tele)Infor- matização da Ação Governamental, era a de podermos construir, em nossa terra e no nosso tempo, toda a infraestrutura necessária ao funcionamento de uma grande praça (Tele)Informatizada que possibilitasse reproduzir, se assim o desejássemos, a praça ateniense do tempo do General Péricles, do Século V antes de Cristo, onde os cidadãos, em conjunto, decidiam, enquanto comunidade, sobre o seu próprio destino.

A idéia força era a de que poderíamos reconstruir o "Ágora Agora".

E creio que, ainda que embrionariamente, o conseguimos. O Distrito Federal hoje, dispõe de um "Sistema de Atendimento ao Cidadão" que permite que se estabeleça um novo e definitivo canal de comunicação entre a comunidade e o governo.

Através deste canal, qualquer cidadão, simplesmente discando, ao telefone, o número 156, dispõe de quase todas as informações e orientações necessárias à simplificação de sua vida; dispõe, também, da possibilidade de participar da Ação Governamental, fazendo reclamações e dando sugestões, tendo a certeza que o primeiro escalão do governo, inclusive o próprio governador, tomará conhecimento de suas opiniões e de suas reivindicações, e que eles determinarão imediatas providências, sempre que estas se fizerem necessárias.

Este sistema está preparado para, junto com os meios de comunicação de massa, ser utilizado nas pesquisas de opinião pública, como acabamos de atestar com a realização de uma pesquisa de opinião, junto aos funcionários da CODEPLAN, sobre o desempenho de sua atual diretoria no último biênio, resguardando-se a identidade de cada participante; ou seja, acabamos de realizar uma pesquisa de opinião universal, livre e secreta.

Cumpre, no entanto, destacar que não vejo este complexo sistema como um substitutivo para os mecanismos tradicionais de representação política e nem para as reuniões gerenciais promovidas, desde a primeira hora de seu governo, pelo Governador José Ornellas, com as lideranças comunitárias.

Vejo-o sim como complemento destes dois mecanismos pois ele permite que haja um controle, por parte do cidadão comum, do diálogo que se processa entre os seus representantes e os seus governantes.

Meus Senhores...

O nosso engajamento, como "uma equipe a serviço da comunidade", de modo decidido e firme, no todo social em que vivemos se faz, portanto, com clara consciência que se nos impõe, de sermos consequentes, em toda a extensão do nosso agir, com aquilo que intencionalmente adotamos como nossa filosofia de ação;

Devemos, no entanto, ficar atentos às dificuldades e aos obstáculos que nos obrigam aos naturais ajustes, de intensidade e de rumo, na condução do processo que possa levar ao alcance do que seja, efetivamente, exequível.

Sonhar sim!

Audaciosamente sempre!!

Mas sabendo o momento certo, a oportunidade exata, de concretizar as idéias sonhadas, os ideais perseguidos.

Creio que, como equipe, neste curto espaço de tempo, sob a lúcida liderança do Governador José Ornellas, soubemos bem construir um amplo espaço-de- atuação e, com coragem e dignidade, soubemos explorá-lo ao máximo, mormente na construção de um novo modo de agir político, inédito também, a meu juízo, em âmbito nacional.

Meu Prezado Guy...

Hoje, a ASSESPRO Nacional está também homenageando todos os empresários de Informática de Brasília, com todos os seus analistas e seus programadores, que, junto conosco, compatibilizando os seus interesses empresariais com os interesses maiores de nossa comunidade, prestaram inestimável colaboração no processo de desenvolvimento do Polo de Informática de Brasília.

Sem sua eficiente colaboração não teríamos desenvolvido e implantado mais de uma dezena de complexos e modernos sistemas (tele)informatizados, num prazo tão curto e por um custo tão baixo, se levarmos em conta os melhores exemplos nacionais.

Eles também, caro Guy, por algum motivo, decidiram-se a integrar esta equipe que esteve a serviço de nossa comunidade. No desenvolvimento e na implantação deste verdadeiro "Projeto Coletivo".

Meus caros amigos Neves, Mário, Troncoso e Hércules, diretores da CODEPLAN...

Por ocasião de suas posses na diretoria da CODEPLAN, em 30 de setembro de 1982, disse, claramente, que não cria que, pelo simples fato de terem sido empossados como diretores da CODEPLAN vocês teriam passado a integrar a equipe do Governador José Ornellas, pois esta era, para vocês, uma condição necessária, mas não suficiente.

Disse que era indispensável que cada um de vocês, isoladamente, tomasse a decisão de considerar cada membro da equipe do governo como sendo de sua própria equipe; que cada um de vocês se considerasse responsável pela integração da equipe da CODEPLAN; pela integração da equipe da Secretaria do Governo; da equipe do Governo do Distrito Federal.

Hoje, confesso de público: vocês foram muito além de minhas expectativas; vocês não só tomaram a corajosa decisão que eu lhes propusera, como também souberam servir, com um denodo ímpar, a nossa comunidade; vocês transformaram a CODEPLAN; vocês ajudaram a transformar o Governo do Distrito Federal; vocês trabalharam para melhorar a qualidade de vida de nossa gente.

Eu me orgulho de ter passado a pertencer à vossa equipe que, hoje, é a mesma que a nossa.

A vocês, o meu muito obrigado.

Meus amigos secretários do Governo do Distrito Federal, secretários companheiros da Comissão de Coordenação das Atividades de Tratamento da Informação: Celso Albano, Arocha, Jorge Jardim...

Nunca tinha visto, seja concretamente, seja através da literatura ou de relatos verbais um comportamento tão aberto, tão receptivo e tão competente quanto o que vocês tiveram relativamente ao Programa de (Tele)Informatização da Ação Governamental.

Sem esta atitude firme, corajosa e desprendida, nada teríamos realizado, pois fomos apenas os instrumentalizadores das soluções dos problemas que vocês nos apresentaram durante as reuniões que desenvolvemos para avaliar o desempenho da CODEPLAN de então e para levantar as vossas necessidades em termos de processamento de dados.

Este é um caso a ser melhor estudado pelos teóricos das organizações pois pode ser que tenhamos encontrado a solução para o intrigante conflito "Usuários X Analistas de Sistemas", e que, no nosso caso, teve uma solução ímpar.

Creio que, o que inspirou esta solução, foi o nosso propósito comum de bem servir a nossa comunidade, junto com as nossas equipes integradas.

Sou muito grato a vocês pelo muito que me ensinaram e apoiaram para que pudesse levar a cabo minhas responsabilidades funcionais.

Meus prezados fornecedores de bens e serviços...

Não foi muito difícil trabalharmos juntos, apesar das dificuldades iniciais, próprias do processo de ajustamento de referenciais, de valores e de vontades.

Contando com uma pequena equipe de governo competente e séria, tanto técnica como politicamente, não foi muito difícil estabelecer os padrões de desempenho que seriam, por nós, requeridos de vocês.

De modo a facilitar nossos entendimentos, tivemos que desenvolver uma nova metodologia de contratação de bens e serviços que nos permitisse especificar, gerenciar o desenvolvimento e operar mais de uma dezena de complexos sistemas (tele)informatizados, concomitantemente à substituição e ampliação de nosso parque de computadores e à implantação de toda uma vasta rede de teleprocessamento de dados.

Posso testemunhar, de público, não só a lisura de seus comportamentos comerciais como também o nível de qualificação técnica alcançada pelas vossas empresas, principalmente as sediadas em Brasília, que, hoje, nada devem às melhores empresas nacionais.

Meus bravos companheiros da imprensa...

A seu modo, vocês me auxiliaram nesta árdua e incompreendida tarefa de exercer uma função pública.

Com suas apreciações críticas e com suas reportagens reveladoras vocês me proporcionaram oportunidades ímpares para refletir, criticamente, sobre as decisões que tinha que tomar e sobre as ações que tinha que empreender.

Muito obrigado pela maneira isenta com que trataram as minhas decisões e minhas ações, pela forma elegante e carinhosa com que vocês trataram o Secretário do Governo, enquanto pessoa, e, principalmente, pela inestimável colaboração que vocês prestaram na difusão do Polo de Informática de Brasília.

Vocês tiveram participação ativa na sua gestação e no seu desenvolvimento.

Meus diligentes líderes comunitários...

Foi a partir de conversas com muitos de vocês, desenvolvidas durante as nossas reuniões gerenciais, durante os intervalos para o descanso e para o café, durante as visitas às obras públicas, durante recepções e audiências, lendo e meditanto sobre suas declarações à imprensa, debatendo-as com meus assessores, que pude compreender que esta nossa comunidade, que vocês tão bem representam, tem plena consciência:

Que no Distrito Federal está localizado o centro de decisões do Governo Federal;

Que este Distrito Federal é um dos polos indutores do processo de desenvolvimento nacional;

Que este Distrito Federal é a concretização de um dos verdadeiros projetos nacionais, que começou com José Bonifácio e que continuará com nossos filhos;

Que neste Distrito Federal se erigiu Brasília, monumento que simboliza a vontade da nação brasileira em auto-determinar seu próprio destino; em auto-determinar as características de sua própria nacionalidade;

Que neste Distrito Federal morreu o velho "Jeca Tatu"; que nele nasceu um novo "Jeca Tatu", menos conformista e mais sonhador, menos fatalista e mais esperançoso, menos humilhado e mais altivo, menos indolente e mais desbravador, cada vez mais consciente de seu saber-pensar, de seu saber-querer e de seu saber- agir, cada vez mais brasileiro;

Que neste Distrito Federal reside a esperança de se melhorar a qualidade de vida de nosso povo;

Que deste Distrito Federal está irradiando a proposta de uma nova sociedade brasileira que seja:

Cada vez mais íntegra;
Cada vez mais livre;
Cada vez mais solidária; e
Cada vez mais justa.

Espero, do fundo do meu coração, não ter faltado a qualquer dos compromissos assumidos com a comunidade que vocês representam.

E, tenho a certeza, que o Governo José Ornellas, ficará para sempre gravado, em seus corações e em suas mentes, como o governo que trabalhou, árduamente, para melhorar a qualidade de vida de sua gente, principalmente dos mais carentes, valendo-se para tal, inclusive dos modernos sistemas (tele)informatizados.

Meus futuros governantes do Distrito Federal...

O Polo de Informática de Brasília apenas dá os primeiros passos de uma caminhada que não terá fim. O "Programa de (Tele)Informatização da Ação Governamental", apesar da magnitude dos resultados já alcançados, apenas engatinha.

Para que tais projetos infantes não sofram solução de continuidade, estamos deixando concluído, à guiza de sugestão para Vossas Excelências, o "Plano Diretor de Informática" de todo o Complexo Administrativo do Distrito Federal, o qual, se desenvolvido nos moldes adotados nestes últimos 2 (dois) anos, exigirá, no mínimo mais 5 (cinco) anos de intenso trabalho para sua plena execução.

Estamos deixando os equipamentos, os sistemas, as equipes e as dotações orçamentárias em condições de, sob a direção de Vossas Excelências, enfrentar este novo desafio.

E, com certeza, Vossas Excelências também poderão contar com as empresas privadas de Brasília, cada vez mais aptas a prestarem mais e melhores serviços ao Governo do Distrito Federal. Há muito ainda o que fazer...

Meus futuros governantes da Nova República...

Mesmo correndo o risco de ser ocioso e, até mesmo, de parecer impertinente e inoportuno, aproveitarei este momento para oferecer, à apreciação crítica de Vossas Excelências, algumas considerações sobre as funções que julgo devam ser atribuídas à (Tele)Informática, no processo de desenvolvimento da nossa sociedade, em âmbito nacional.

A sociedade brasileira está num processo de transformação silenciosa, inexorável e irreversível no sentido de sua (Tele)Informatização.

Tais transformações, muito mais que provocadas por uma "3a onda", são determinadas pela necessidade de sobrevivência de determinados segmentos de nossa sociedade, principalmente aqueles que têm que competir no mercado internacional.

A produção de informações sobre o mercado, sobre os processos e sobre os produtos, fidedignas e tempestivas, e a incessante busca de ganhos crescentes de produtividade no processo produtivo nacional são os fatores determinantes deste processo de (Tele)Informatização.

Informações e produtividade são elementos essenciais ao aumento de nossa competitividade no mercado internacional

Informações e produtividade são produzidas, com mais eficiência com o uso adequado dos serviços de Telecomunicações integrados aos da Informática

E é de todo natural que estes segmentos mais modernos e dinâmicos induzam a modernização e a dinamização de outros segmentos de nossa sociedade, criando, deste modo, uma demanda, que cresce exponencialmente, para os sistemas e serviços (tele)informatizados.

Outro fato, não tão notório quanto o primeiro, é o de que só poderá haver crescimento econômico, sem que haja a redução do consumo per-capita, se houver um aumento da produtividade do processo produtivo a taxas mais do que proporcionais àquelas de crescimento demográfico somadas às taxas de crescimento desejadas para a nossa economia.

Cumpre destacar que tanto o crescimento de nossa economia quanto o crescimento do consumo per-capita são exigências atuais de nossa sociedade.

E é, a meu ver, de suma importância que esta mesma sociedade assuma, definitivamente, a responsabilidade por fazer crescerem as taxas de aumento da produtividade do processo produtivo e a diminuição das taxas de crescimento domográfico. É uma equação social que somente a sociedade brasileira, por si só, poderá resolver.

Um terceiro fato a ser considerado é o de que a (Tele)Informática é um poderoso instrumento propiciatório, não só do tratamento eficiente e eficaz da informação, como também da obtenção de ganhos crescentes de produtividade do processo produtivo.

É fato também que o desenvolvimento, a operação e o uso de sistemas (tele)informatizados determinam mudanças substanciais nas estruturas de poder, de emprego e de renda, beneficiando as pessoas, as equipes e as empresas mais bem preparadas, técnica e cientificamente.

Mas, ao mesmo tempo, é fato também que somente com a obtenção de ganhos crescentes de produtividade poderemos promover uma efetiva distribuição de renda em prol dos mais necessitados.

Somente com a obtenção destes ganhos de produtividade é que conseguiremos transformar o processo de distribuição de renda de um jogo de "soma nula" (um jogo de perde-ganha) num jogo de "soma positiva" (um jogo em que todos podem ganhar), com a distribuição do "a mais" produzido per capita a taxas diferenciadas para cada um dos agentes de produção, beneficiando os agentes mais pobres. Os mais ricos nada perderiam, a não ser a redução da taxa de crescimento real de sua riqueza.

Esta é também uma decisão que somente a sociedade brasileira, por si só, poderá tomar. E é, a meu ver, de fundamental importância, para a estabilidade de nossa estrutura social, que esta decisão seja tomada urgentemente.

Em outras palavras, podemos destes fatos deduzir que o crescimento da demanda nacional por serviços (tele)informatizados e, posteriormente, a própria prestação destes serviços, criam espaços amplamente favoráveis para que possamos, como nação soberana, proceder, com baixo custo social, às transformações políticas, econômicas e culturais requeridas por importantes segmentos de nossa sociedade.

Uma função puramente instrumental, como podemos depreender destas considerações.

Não considero como grave a situação da (Tele)Informática brasileira; graves, muito graves, são os problemas da subnutrição, da ausência do saneamento básico, do analfabetismo...

Devemos, a meu juízo, colocar, urgente e prioritariamente, em âmbito nacional, a (Tele)Informática a serviço de nossa comunidade, de modo a acelerar o resgate destas nossas dívidas sociais.

E, também segundo meu juízo, este processo será tão exitoso quanto melhor integrados politicamente estiverem os governantes que terão a responsabilidade de conduzir as áreas de Informática e das Telecomunicações.

Sem levar em conta os naturais compromissos políticos já assumidos, creio que o ideal seria o de colocarmos, politicamente, as duas áreas num mesmo rumo e, por que não dizer também, sob uma mesma direção.

A nação brasileira pagará muito caro por uma eventual desarticulação de propósitos, de políticas e de procedimentos dos dirigentes destas duas áreas...

A integração de propósitos, de políticas e de procedimentos, segundo meu entendimento, deveria ser feito, através do embate democrático, no seio do Congresso Nacional, do já senil "Código Brasileiro das Telecomunicações" com a infante "Lei da Informática". Um Código Brasileiro da Telemática, eivado de uma visão instrumental para o social, resultaria deste embate, consolidando a vontade nacional nesta questão.

Restando apenas sugerir, que este embate, seja instrumentalizado por um único ministério: o Ministério da Telemática.

Meu querido líder e amigo Governador José Ornellas...

Vivo este momento com a alegria indisfarçável de quem se sente gratificado por ser parte de sua equipe, alvo de tão significativo reconhecimento por parte de toda a comunidade. Mas vivo-o também, como membro de uma equipe que se determina muito mais pelos desafios que estão por vir, do que pelos eventuais êxitos alcançados.

Nossos ideais comuns apontam em frente. Eles são inesgotáveis na medida em que vão se tornando realidade concreta. Há muito mais por fazer. Olhos nos horizontes de nossos sonhos comuns, sigamos com determinação.

Nossa comunidade tem o direito de exigir mais do cabedal de nossa experiência, que o viver, de sua própria problemática, propiciou. Temos um dever ante o verdadeiro privilégio, que foi para nós, o havermos vivenciado tão rica experiência, e nos havermos tornado mais preparados para enfrentar novos desafios. Todos nós temos esta obrigação, a ela, se convocados, não faltaremos.

Meus caros amigos, que com suas honrosas presenças vieram emprestar o seu prestígio a esta solenidade...

Para dar o real colorido de toda esta minha ladainha, que já se faz longa demais, gostaria de revelar que o que mais me envaidece é o de pertencer a uma equipe de governo que, ao final de seu mandato, pode dizer, com muito orgulho, que...

as crianças da Ceilândia já não mais brincam nas águas servidas...

E, sendo claro, é isto o que mais nos importa.

Muito Obrigado.


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